quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O voar de uma borboleta em vinte dias.

É com tamanha crueldade que a verdade já sabida bate novamente a minha porta. Ser em constante mutação. Não ser e sempre estar e, finalmente, não mais estar. Quem atende é a angustia que me assola, temida, invade e engole. Angustia das brabas, brabas. Daquela que ofusca as vistas e bate-lhe a porta, resta a quem bate a marca bem na ponta do nariz.
A tal visita veio vindo menos que vinte dias depois de vinda a virada – todo o velho conhecido revestido pela falsa capa de tempo novo que ainda se ocupa em passar, como sempre, o meu sempre. Ali, inconveniente se revela a lista, daquelas que se faz de anos. Fazem apenas vinte. Se ainda fossem doze, mas eram vinte apenas e tudo já mudara. Dali se três ou quatro itens se reciclassem e reutilizassem já seria muito, que se realizassem tanto fazia, como se pode notar, sua utilidade já não tinha mais essa importância. Tudo uma mera questão de dias, vinte dias, como pude, como?
Numa leitura tão superficial de texto e alma, me ocupei a revisar as linhas por tão pouco tortas. Vinte dias são tempo mais que suficiente de entregar o passado de bom grado nas mãos do ridículo bondoso, não são não. O mau ridículo me envolve. Tenho vergonha dessa impactante versão lida, o ridículo superficial em mim e minha alma se escrachando e saltando aos olhos.
Ridícula!
A leitura também o era. Pouco soube, pouco sei. Cabe essência de mim? Há gotas de essência em mim? Será que ainda restam gotas de essência em mim? Qualquer uma bastaria, mesmo que pútrida e mal cheirosa, mesmo que de um odor insuportável dos que aciona os olhos e sem nenhuma comoção põe a chorar. Emoção, faltava emoção. Angústia tamanha é o que resta, sobra.
Como sou, como estou pequena. Tão minúscula ali, comparada a minha tamanha grandiosidade. Só me resta que surjam finalmente as minhas asas definitivas. Que sejam como sejam, coloridas ou não, feias e bonitas se possível, que sejam e sejam e não sejam também e quem sabe até talvez sejam, ainda cabe a dúvida no ser, lotadas de essência, qualquer essência que preencha e fim.
E eu devo, por pura e única devoção, também a mim. Devo tentar ser leal e sobrevoar esse mar de olhos emocionados e bem abertos. Sobrevoar a tal verdade, a minha única verdade, a de que não há verdade alguma sobre mim, nem pelo menos nem pelo mais. Fecho os olhos e digo com tamanha força que até eu mesma posso crer. E assim te berro e te digo as minhas verdades em frases insólidas, mas só escutará as suas, aquelas que sinceramente ouve e por lealdade pode crer.

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