segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O prólogo (tipo amostra gratis da Saraiva):

Enfim só.

E como se fosse de repente, seu rosto se ergueu. Os olhos mergulhados em lágrimas de mulher, repletos de confusão e angustia, clamavam por alguma gota de salvação. O quarto escuro, a luz que vinha da janela e tentava esboçar alguma iluminação em sua face perturbada. Num desmaio súbito, o odioso caderno das memórias desconhecidas caiu de suas mãos repletas do cansaço que a dor fizera surgir. As páginas embaralhadas, molhadas dos conta-gotas de mulher se misturavam e ela permanecia estática e ali, perdida, perplexa, e sozinha, enfim só.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O voar de uma borboleta em vinte dias.

É com tamanha crueldade que a verdade já sabida bate novamente a minha porta. Ser em constante mutação. Não ser e sempre estar e, finalmente, não mais estar. Quem atende é a angustia que me assola, temida, invade e engole. Angustia das brabas, brabas. Daquela que ofusca as vistas e bate-lhe a porta, resta a quem bate a marca bem na ponta do nariz.
A tal visita veio vindo menos que vinte dias depois de vinda a virada – todo o velho conhecido revestido pela falsa capa de tempo novo que ainda se ocupa em passar, como sempre, o meu sempre. Ali, inconveniente se revela a lista, daquelas que se faz de anos. Fazem apenas vinte. Se ainda fossem doze, mas eram vinte apenas e tudo já mudara. Dali se três ou quatro itens se reciclassem e reutilizassem já seria muito, que se realizassem tanto fazia, como se pode notar, sua utilidade já não tinha mais essa importância. Tudo uma mera questão de dias, vinte dias, como pude, como?
Numa leitura tão superficial de texto e alma, me ocupei a revisar as linhas por tão pouco tortas. Vinte dias são tempo mais que suficiente de entregar o passado de bom grado nas mãos do ridículo bondoso, não são não. O mau ridículo me envolve. Tenho vergonha dessa impactante versão lida, o ridículo superficial em mim e minha alma se escrachando e saltando aos olhos.
Ridícula!
A leitura também o era. Pouco soube, pouco sei. Cabe essência de mim? Há gotas de essência em mim? Será que ainda restam gotas de essência em mim? Qualquer uma bastaria, mesmo que pútrida e mal cheirosa, mesmo que de um odor insuportável dos que aciona os olhos e sem nenhuma comoção põe a chorar. Emoção, faltava emoção. Angústia tamanha é o que resta, sobra.
Como sou, como estou pequena. Tão minúscula ali, comparada a minha tamanha grandiosidade. Só me resta que surjam finalmente as minhas asas definitivas. Que sejam como sejam, coloridas ou não, feias e bonitas se possível, que sejam e sejam e não sejam também e quem sabe até talvez sejam, ainda cabe a dúvida no ser, lotadas de essência, qualquer essência que preencha e fim.
E eu devo, por pura e única devoção, também a mim. Devo tentar ser leal e sobrevoar esse mar de olhos emocionados e bem abertos. Sobrevoar a tal verdade, a minha única verdade, a de que não há verdade alguma sobre mim, nem pelo menos nem pelo mais. Fecho os olhos e digo com tamanha força que até eu mesma posso crer. E assim te berro e te digo as minhas verdades em frases insólidas, mas só escutará as suas, aquelas que sinceramente ouve e por lealdade pode crer.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre anjos, meias paráfrases e coisas novas e pequenas

Quando eu nasci, veio um tal anjo da porra, daqueles danados mesmo, e não me disse nada. Não disse. E ai? Ai que eu olhei pra ele com aquela cara de coisa nova e pequena que diz Vai anjo, vai!diz logo a que veio! Ele sorriu com ar de satisfeito e bateu asas, voou.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

TR3S

Faz três horas, e vê bem que o três é um número místico, meio que mágico. Faz três horas, tivesse eu escrito, ao menos falado. Faz três horas e já fez tempo, mas também já se passou. e eu, eu que tinha uma idéia certa, que juro que tinha, que tinha sim. mas agora, agora eu já não sei mais. a magia passou. quisera eu também ainda estar enfeitiçada, mas nada se faz por si só e o tal número exato já passou.

02-09-2007

acertar tem sido cada vez mais dificil...concertar os erros, ser minuciosamente perfeito...realmente dificil...a pratica aos poucos vai te preenchendo e voce nao comete mais aqueles erros banais que cometia antigamente...auto-correçao...mas porque acertar e sempre...uma bola encaçapada nem sempre eh a melhor jogada a ser feita...esperar o momento certo sim.Acerta a mao, corrije o braço...o ponto de vista bem direcionado, o corpo bem alinhado, tudo pronto e vai...agora eh soh observar e ver o quao perfeito voce pode ser, porque uma jogada nao volta nunca mais.
Coragem. Coragem é o que prefiro acreditar ser o aquilo que tenho procurado, então aqui está, primeiro passo frente meus medos de críticas e a vergonha que sinto quando alguém (?) que não esteja me avaliando academicamente lê as minhas 'palavras'. Pensei antes em escrever besteiras e não palavras, mas é de recaídas como essas e momentos de baixo estima literária tal e qual que se fez esse diário. Busca por estilo, autenticidade e preenchimento, diriam. Não sei, prefiro acreditar que seja só busca de coragem mesmo, e longe de mim me ver como escritora, não sou, talvez esteja naquela do sendo e em vias do ser, mas não sou. Talvez o meu eu - lírico, esse mesmo que me faz escreverescrevereescrever e fazer de uma simples descrição um primeiro texto um pouco aceitável, mesmo sem que essa seja minha vontade. Um pouco aceitável eu disse, por que se fosse decente, decente mesmo, do tipo que se põe a sua própria mão no fogo, aí ele teria um título, um nome, seria alguma coisa, seria realmente alguma coisa e não estaria por ai, perambulando e em vias de ser. Talvez, talvez, talvez, eita incerteza irritante, qualquer crítico decente iria reclamar. É, pode ser, mas pra mim é assim, mais valem as minhas milhões de incertezas voando do que uma certeza qualquer no chão, achada ou não. e os deuses, mas deuses daqueles que preferem a nectarina ao tal do néctar que só se ouve falar porque não está voando, esses deuses aí iriam concordar, e como iriam. Iriam? Se iriam ou não, eles que me perdoem, de pouco me importa, o importante agora é que agora, por hora, virão os mais antigos, os textos eu digo, e daí quem sabe sai alguma coisa interessante porque, nessa minha mania acadêmica, aprendi que o que foi dito antes é mais importante. Tomara que eu seja dita antes algum dia. Enquanto não, escrevo diário e não livro e fico por ai, perambulando em vias de ser, com uns quês demasiados e um quê tímido de mim a procurar por coragem.